Que Deus tenha piedade dos sul-mato-grossenses!
Mais recentemente, aconteceu a escolha da seleção do desmancha-prazeres Dunga. Houve uma expectativa em todo o país estimulada pela imprensa. Como diz a tradição, em cada brasileiro existe enrustido um técnico de futebol com seu time preferido. E o velho Dunga de guerra teve que enfrentar uma tremenda pressão para a convocação de jovens jogadores, que ultimamente estão fazendo sucesso. Somente quem não acompanha este técnico retranqueiro acreditaria na mudança de sua postura e convocaria elementos novos e jovens, diferentes dos que ele vinha testando nesses últimos anos.
Uma empresa de outdoors de Campo Grande fez uma campanha insólita para a convocação de outros jogadores. Com certeza, usando de humor e de oportunismo, a empresa pisou literalmente na bola e demonstrou um pouco de ingenuidade, desconhecendo que há mais mistérios numa escalação de futebol do que sonha a nossa vã filosofia... E vivam os cartolas!
Eu, que sou apenas um curioso em futebol, não me surpreendi com a escalação dunganiana. Penso, apesar do respeito que tenho pelos “entendidos” no assunto, que esses jovens jogadores serão os futuros membros da seleção brasileira, porque são realmente artistas da bola, com um futebol alegre e brincalhão. Mas só isso não basta no presente momento. Em muitos casos são imaturos e até irresponsáveis. Goleadores, fizeram demonstrações exageradas de comemorações e de um pouco de arrogância. Isso, com certeza, pesou na escolha que o Dunga fez.
Também não espero muita coisa da seleção, que deverá mostrar um futebol feio, retrancado, tudo o que o brasileiro não gosta, mas que todos esperam eficiência e bons resultados. Vou torcer, como se espera de cada um de nós, mas sem muita convicção. Se o Brasil sair-se vitorioso, com certeza, será a vitória do teimoso técnico.
Caso contrário, será execrado pela imprensa e pela opinião pública. Mas, pensando bem, com o salário nas alturas que recebeu da CBF nesses anos, poderá assim mesmo viver confortavelmente em qualquer lugar do mundo.
Espero que um dia retorne o espírito da seleção brasileira de 1970. Os brilhantes “canarinhos” com aquele futebol belíssimo e encantador, que marcou em todo o mundo o jeito brasileiro de jogar e que o Dunga insiste em esconder em baixo do tapete. É uma pena, que não pode ser mais visto pelas novas gerações aquele espetáculo encantador. Com respeito à história, devo lembrar que a copa do mundo de 1970 também coincidiu com um dos momentos mais negros da ditadura militar. E, naquele momento de horror, em que o governo usava o sucesso da seleção canarinho em propaganda política, para muitos, torcer para o nosso time era também apoiar a ditadura. Assim, a cada resultado positivo, muitos choravam de alegria escondidos nos quartos para não parecer que estavam apoiando a ditadura militar. Isso já faz parte da história brasileira. Agora é só esperar para ver o que vai acontecer.
Por causa ainda do Dunga, a esperta empresa italiana Panini também está pagando um mico colocando em seu álbum de figurinhas três jogadores brasileiros que não foram convocados. Mas isso não faz diferença: as figurinhas são uma mina de ouro para essa editora e uma grande diversão para crianças e marmanjos de todo o Brasil.
Em tempo - os brasileiros estão mesmo se divertindo antecipadamente com uma nova mania: a de colar as figurinhas dos argentinos de cabeça para baixo. Quem sabe isso dá azar para a seleção deles e sorte para a nossa.
Valmir Batista Corrêa
(*) Artigo publicado no Jornal da Cidade (http://www.jornaldacidadeonline.com.br/), de Campo Grande (MS), em 30 de maio de 2010.
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