O mês de dezembro marcou um triste espetáculo sobre o futuro da humanidade e jogou por terra a esperança da construção de um mundo melhor. Foi também um festival de egoísmo, prepotência e demonstração de força de alguns países. Tudo isso ocorreu na desunida conferência do clima de Copenhague. Milhares de ingênuos ecologistas, ongs, curiosos e espertalhões que embarcaram no “trem da alegria” em defesa do meio ambiente acharam que era possível influir nas decisões dos líderes governamentais de 192 países ali representados. Devo fazer uma correção a bem da verdade: os líderes que dominaram essa torre de babel não passaram de meia dúzia; a maioria dos representantes dos países fizeram apenas figuração.
O que parece ter sido uma piada de mau gosto foram as normas da ONU, que objetivavam tirar do evento uma decisão de consenso, o que no contexto real era impossível e sabido por todos. Isso, nem por milagre iria acontecer. Mesmo assim, criou-se uma grande expectativa para melhorar as condições climáticas a médio e a longo prazos de todo o planeta.
Depois de intermináveis discussões entre as representações governamentais que, é óbvio, não decidiam nada e também após lutas campais e repressões de policiais truculentos e “badalações mundanas” começaram a chegar os chamados líderes mundiais. Como era previsível, a festa azedou e muito. Tentou-se um golpe, como sempre para favorecer os países ricos, promovido pelos anfitriões dinamarqueses em conluio com os EUA, mas a imprensa, atenta e abelhuda, vazou o assunto antes da hora e o negócio desastroso foi arquivado.
Nesse mar de confusão e de interesses conflitantes, poucos foram os líderes que se sobressaíram, entre eles, com um bom discurso de improviso, o presidente Lula. Outro discurso que teve grande repercussão, mas em sentido contrário, foi o do presidente Barack Obama. Mostrou a força do seu poder mundial, com arrogância e norteou o resultado desastroso da conferência com um documento frágil, sem legitimidade por não ter sido resultado de consenso entre os países, apesar de alguns dados positivos. Lembrou os velhos tempos do expansionismo imperialista norteamericano, que ficou conhecido como o “big stick” (a política do grande porrete).
O que chama a atenção, segundo a imprensa internacional, é que este documento teve os “dedos” dos EUA, China, Índia, África do Sul e do Brasil. Assim, ficou claramente demonstrada, mais uma vez, a divisão de interesses entre os países mais ricos, incluindo os dois maiores poluidores do planeta, EUA, China e os chamados emergentes e, de outro, os pobres de sempre. A poluição vai persistir mas, com certeza, assim continua a caminhar a humanidade, como dizia o título de um velho filme de sucesso.
Como aconteceu na ocasião da escolha do Brasil para sede da copa do mundo de futebol em 2014, deu-se a prática costumeira de uma grande caravana acompanhar o presidente Lula em eventos de projeção internacional. A comitiva brasileira em Copenhague teve aproximadamente 800 assessores, brasileiros felizardos que, para todos os efeitos foram defender o meio-ambiente.
Só queria saber quem pagou mais esta conta....
Valmir Batista Corrêa
(*) Artigo publicado no Jornal da Cidade (http://www.jornaldacidadeonline.com.br/), de Campo Grande (MS), em 03 de janeiro de 2010.
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