Domingo passado, aqui em Campo Grande, iniciou-se com uma concorrida reunião política como se dizia no passado, a campanha eleitoral para presidência da República com a presença do pré-candidato do PSB, Ciro Gomes. Além de filiados e simpatizantes, o que surpreendeu aos analistas de plantão foi a presença de um grande número de políticos de outros partidos, como presidentes de siglas partidárias, prefeitos, vereadores e o governador do estado, que é do PMDB, André Puccinelli. Porém, não marcaram presença neste evento os deputados estaduais, que perderam uma rara oportunidade de externar suas opiniões políticas.
O que motivou esta participação eclética para ouvir um pré-candidato de um pequeno partido com parcas estruturas estaduais? Em primeiro lugar por ainda não estar de forma consolidada as candidaturas para o pleito do ano que vem. Depois, por existir uma verdadeira areia movediça no caminho das coligações partidárias. Além disso, existe uma grande distância entre os interesses nacionais na montagem de coligações do que realmente acontece nos estados para superar as diferenças pessoais e partidárias locais.
Não é sem razão que Puccinelli fez um marcante discurso, realçando a parceria que a prefeitura de Campo Grande e o estado estabeleceu com o visitante quando foi ministro do governo Lula, que resultou em grandes investimentos na região. Grato por esta ajuda, Puccinelli disse ainda do seu interesse em apoiá-lo e acompanha-lo em sua caminhada rumo à presidência da república, realçando a coragem em ser um dissidente. Creio ter sido um recado, devido às embrulhadas regionais, sobre as dificuldades de apoiar a candidata do governo, Dilma Roussef, apesar de uma possível coligação PT-PMDB.
Para o deputado federal Ciro Gomes, o uso da tribuna demonstrou que é um candidato maduro, com um longo caminho político, desde muito jovem exercendo cargos parlamentares e executivos. A sua visibilidade está demonstrada na última pesquisa sobre candidatos à presidente da república em 2010, divulgada pela imprensa nacional, com alto índice de aprovação eleitoral, aparecendo em 2 cenários diferentes muito bem colocado: num deles em 2o lugar e no outro, em empate técnico com a pré-candidata do governo Lula..
Em seu discurso, demonstrou claramente o seu projeto político. Defendeu com seu apoio político o governo atual dizendo que melhorou a situação brasileira em todos os níveis, depois da tragédia do “desastre socioeconômico” por oito anos do governo da “turma de FHC”. Fez um alerta para que o eleitor não deixe “o Brasil andar para trás”, o que pode acontecer, segundo suas palavras, com José Serra ou Aécio Neves. Economista, com sólida formação acadêmica em nível nacional e internacional, Ciro recheou o seu discurso com informações econômicas, o que também demonstrou já estar formatando uma proposta de governo a ser apresentado à sociedade brasileira.
Mesmo assim, apesar de declaração de apoio ao atual governo, o espinhoso caminho da luta eleitoral poderá coloca-lo frente a frente com a candidata de Lula. Por outro lado, existe um suposto plano B de alça-lo como candidato oficial deste governo, caso se inviabilize eleitoralmente a atual ministra da Casa Civil. Mesmo com esta declaração de amor ao Lula, Ciro tem colocado que o seu projeto pretende avançar além do que alcançou o atual governo, com profundas reformas sócio-econômicas e políticas.
Este é apenas um difícil começo, que dependerá em última instância do eleitorado brasileiro e das propostas dos outros candidatos, que deverão passar por esta bela capital. De qualquer forma, Ciro Gomes é um grande tribuno, polêmico e brilhante, que poderá avançar muito na preferência dos eleitores caso tenha espaço na TV e na internet, está prometendo ser a grande novidade na propaganda política entre nós brasileiros.
Vamos esperar pra ver...
Valmir Batista Corrêa
(*) Artigo publicado no Jornal da Cidade (http://www.jornaldacidadeonline.com.br/), de Campo Grande (MS), em 04 de outubro de 2009.
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