O ano de 1956 foi uma nova fase da história brasileira com a política desenvolvimentista do governo Juscelino Kubitschek. Superando a etapa tumultuada da era Vargas, JK propôs para o seu governo um programa de metas concentrado em cinco itens: energia, transportes, alimentos, indústrias de base e educação. O que marcou seu governo, de fato, foi a opção dos investimentos na área da indústria automobilística e na construção da capital, Brasília. A partir de então, o Brasil nunca foi mais o mesmo. Viveu-se uma época de muita euforia, onde muita gente ficou rica, especialmente quem se envolveu com a construção da nova capital.
Ainda nesse ano, o governo adquiriu da Inglaterra um navio porta-aviões, encostado desde a 2a. Guerra Mundial e que era na realidade uma sucata reformada pouco usada pelo seu alto custo operacional. Este verdadeiro “elegante branco” motivou uma avalanche de protestos e, ao mesmo tempo, provocou ondas de chacotas pela pretensão das autoridades civis e militares do país. No ano seguinte, o hilário menestrel Juca Chaves, atingiu o máximo do deboche em relação ao velhusco porta-aviões com a música “Brasil já vai a guerra”. A música, que não levou o belicismo tupiniquim a sério, começava assim “Brasil já vai a guerra, comprou porta-aviões, um viva para a Inglaterra de 82 bilhões, oh! mas que ladrões. Quem viveu aquela época, com certeza, nunca esqueceu esta gozação.
No governo Fernando Henrique também foi comprado um porta-aviões da mesma velha França, empurrado aos brasileiros pelo seu alto custo operacional. Por sua vez, os alemães também empurraram um submarino, cuja revisão custava quase o preço de um outro submarino. Tudo isso com a promessa de transferência de tecnologia, nunca concretizada, deixando os brasileiros com cara de otários.
Reforço com essas histórias caricatas que a corrida bélica, por ser perigosa, não é assunto para brincadeiras. E o que está acontecendo hoje precisa ser encarado com muita seriedade. Mesmo que muita gente não queira enxergar, os países da América Latina estão se armando para a alegria das indústrias bélicas dos países capitalistas. Por muitas décadas, esses mesmos países se locupletaram, e continuam se lambuzando, fomentando guerras e revoluções em países miseráveis da África e da Ásia. E o que é pior, ainda continuam.
Países como Venezuela, Colômbia, Bolívia, Argentina, para citar apenas alguns, elegeram nos últimos tempos como prioridade a compra de armamentos, apesar da miséria de suas populações. Com certeza não é uma política pacifista que está em jogo. Agora, chegou a vez do Brasil também entrar nesse mercado bilionário, é óbvio, para os outros.
Esse pacote de compras em proposta pelo governo brasileiro pode chegar à pequena cifra de 22,5 a 31 bilhões de reais, correspondendo a 36 caças de combate, 50 helicópteros e 4 submarinos e, ainda, a construção de uma base, de um estaleiro e de um submarino de propulsão nuclear. Segundo o governo, a França, possivelmente a escolhida, passaria toda a tecnologia desses produtos bélicos para o Brasil.
Será mesmo? É claro que levar a sério esta fantasia é o mesmo que acreditar em Papai Noel. Qualquer inocente percebe que nenhum país entregaria uma tecnologia de ponta, com anos de pesquisas, o verdadeiro “pulo do gato”, para um país estrangeiro. O mais grave, é que a preferência brasileira está no caça francês que nenhum país ainda comprou, além de ser o mais caro do mundo.
É uma polêmica e tanto para um país como o Brasil, que ainda tem problemas graves em sua estrutura sócio-econômica. A compra deste entulho militarista pode demonstrar que está sobrando muito dinheiro. Aliás, é o que está fazendo este governo em sua política internacional, investindo (ou melhor, dando) dinheiro nos países sem perspectiva de retorno.
É o caso de perguntar: está tão fácil a vida por aqui? Então por que a proposta de taxar a poupança e recriar a mal fadada CPMF? Muita água ainda vai correr embaixo da ponte até alguém responder a estas questões.
Valmir Batista Corrêa
(*) Artigo publicado no Jornal da Cidade (http://www.jornaldacidadeonline.com.br/), de Campo Grande (MS), em 20 de setembro de 2009.
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