terça-feira, 5 de maio de 2009

Uma estrada que envergonha Campo Grande (*)

Em tempos de antanho havia um slogan político muito usado afirmando que administrar era abrir estradas. Era uma época de romantismo em que se justificava o subdesenvolvimento pela falta de estradas que interligassem o país, escoando pelas suas veias a sua produção agrícola rural. De fato, era uma fase de um Brasil mais rural que urbano.

Depois, veio o rompimento com este Brasil arcaico com a política desenvolvimentista do governo Juscelino Kubitscheck, aquele que dizia que queria fazer “50 anos em 5”. Entendo até que o “o pé-de-valsa”, como diziam seus correligionários, conseguiu muito de seus intentos. Mas, em contrapartida, o avanço das estradas pelo Brasil afora também favoreceu de forma espetacular a indústria automobilística. O resultado é visível. O Brasil foi inundado de carros e congestionamentos. Mas também criou um forte parque industrial automobilística, e uma estrutura operária e sindical que um dia foi aguerrida. Porém, trouxe um ônus terrível para a economia do país, e o brasileiro está até hoje pagando o “pato”, pela fragilização e sucateamento da rede ferroviária brasileira.

Não quero neste momento escrever sobre a criminosa política de desestatização do governo Fernando Henrique. Era o auge da política neoliberalista, um engodo que enfraqueceu a economia de muitos países em processo de desenvolvimento. Isso é uma história para uma outra vez.

Agora o país sofre por não ter uma rede ferroviária moderna e conta com uma malha rodoviária em precárias condições de conservação e dependente de combustíveis cada vez mais caros. A bem da verdade, hoje, as melhores estradas existentes no país são aquelas servidas (ou sugadas) por intermináveis pedágios.

Aqui, nesta terra fronteiriça, pode-se chegar a qualquer cidade pela malha rodoviária, algumas em boas condições de uso. Mas tem uma pequenina estrada, aqui pertinho, que incomoda e envergonha os munícipes campo-grandenses. E olhe que está no coração do município de Campo Grande. É a estrada MS 010, que liga a capital com o Distrito de Rochedinho, chegando até a região das Furnas do Dionísio (já no município de Jaraguari), onde o asfalto vai um pouco além do Colégio Latino e do corredor da Nova Lima. Até Rochedinho são 15 kms de um festival de pedras e buracos, verdadeiro flagelo dos veículos que ousam ou necessitam transitar pela região.

Os moradores mais antigos da localidade não se cansam de dizer que políticos conhecidos já anunciaram aos incrédulos moradores a liberação de verbas de Brasília para o asfaltamento desta rodovia. Pobres moradores de Rochedinho, até hoje estão esperando a concretização deste sonho. Aliás, em todas as eleições também aparecem candidatos de todos os escalões com as mesmas promessas. Depois, o que fica é um silêncio sepucral.

A região é potencialmente rica, o que viabiliza economicamente uma pavimentação asfaltica. Porém nesse estágio atual constituiu-se num gargalo que dificulta o escoamento de produtos da bacia leiteira e dos viários concentrados na região. O próprio núcleo urbano está estagnado pelas dificuldades de comunicação, o que impede o seu possível crescimento e desenvolvimento.

O curioso é que, por ser uma estrada estadual, a administração municipal não se responsabiliza pelo seu asfaltamento. Por outro lado, talvez por ser uma estrada vicinal dentro de um município, o governo estadual não dá a devida importância para resolver esta situação incômoda e vergonhosa. Parece que a solução é simples, basta os dois aliados, governos estadual e municipal, fazerem uma parceria para a solução deste incômodo problema.

Finalmente, para um município carente de receptivos turísticos é incompreensível o não aproveitamento do potencial das Furnas do Dionísio, com a sua exuberante natureza, seus rios, correntezas e cachoeiras. Muitos podem não enxergar mas é uma extraordinária região com vocação turística inaproveitada.

Valmir Batista Corrêa

(*) Artigo publicado no Jornal da Cidade (http://www.jornaldacidadeonline.com.br/), de Campo Grande (MS), em 23 de novembro de 2008.

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