terça-feira, 5 de maio de 2009

Um marco na cultura regional (*)

Foi recentemente lançada em Campo Grande a revista Cultura em MS, editada pela Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul. Ela representa, sem dúvida, o novo patamar que alcançou o rico cenário cultural de nosso estado. Impecável na sua apresentação, este novo veículo de comunicação tornou acessível a nossa cultura contemporânea, sem a perda da qualidade de imagem e de texto. Com uma proposta de periodicidade anual e tendo uma edição de 2000 exemplares, também apresentada numa versão digital, a revista Cultura em MS será um sucesso editorial e um marco diferencial desses novos tempos de incerteza e frustrações.

Num primeiro momento, a revista produz um impacto agradável, pelo visual e pela amplitude dos temas abordados. Pela dimensão que atinge o seu conteúdo, já se transformou numa referência obrigatória para pesquisadores e leitores que buscam compreender a rica história da cultura sul-mato-grossense. Creio que, por justeza e por dever de ofício, é importante registrar o papel do professor Américo Calheiros à frente da Fundação de Cultura, principal responsável pela idéia e concretização da publicação da revista, que exigiu recursos financeiros consideráveis. Por outro lado, o projeto gráfico encabeçado pela editora Marília Leite, demonstra o grau de sensibilidade e competência desses profissionais campo-grandenses.

A revista traz um leque das mais importantes manifestações culturais no campo da literatura, da música, das artes cênicas, da pintura entre outras. Este mosaico cultural vem reafirmar o significado da cultura regional. Com certeza, é por aí que se deve buscar a identidade de um estado cidadão, no caso Mato Grosso do Sul. Dentro desta linha de raciocínio, o presidente da Fundação afirmou que a revista deve ser “informativa e criativa, abordando assuntos que provoquem uma reflexão sobre a producão cultural do Estado, sua história, memória, discussões atuais e as expectativas para o desenvolvimento da área”.

Assim, refletindo sobre o atual momento cultural do estado, não resisto à idéia da comparação entre a antiga revista MS Cultura e a nova Cultura em MS. A primeira, editada no período de 1985 a 1996, com intervalos, teve a óbvia vantagem do ineditismo e desempenhou um papel fundamental na história de um estado em construção. Naquele momento, a cultura sul-mato-grossense, tão singular quanto significativa na composição do mapa multicultural brasileiro, deixou de ser regional e fronteiriça para alcançar um status de cultura cidadã e, portanto, universal. Reuniram-se em torno do projeto as melhores cabeças e talentos que viveram aqueles bons tempos e o resultado é o registro histórico-cultural que permanece para sempre.

Agora, a nova e bem-vinda revista Cultura em MS, diante de uma referência de qualidade anterior, como foi a MS Cultura, cumpre a espinhosa missão de superar o que já era bom, em tempos que não são tão bons quanto os de antigamente. As dificuldades de captar recursos e de agregar pessoas e grupos que se dedicam às atividades culturais são enormes, ainda mais em tempos de crise financeira. Dessa forma, cada detalhe do esmero e da preocupação em apresentar um periódico de alto padrão, representa um esforço titânico, mas compensador em seus resultados.

A revista permite participar de uma saborosa viagem ao coração de Mato Grosso do Sul e, ao mesmo tempo, sentir a emoção de ver e rever antigos companheiros de luta pela valorização e divulgação da cultura sul-mato-grossense que se mostram vivos nos dois projetos, mesmo os que já não estão mais por aqui. José Otávio Guizzo e Hélio Serejo estão aqui presentes como se fossem de carne e osso, perenizados pela universalidade de suas obras e pela excepcionalidade como seres humanos da melhor espécie. E, com certeza, abrilhantam as páginas da nova revista da nossa cultura.

Não vou mencionar os demais participantes da Cultura em MS, são todos brilhantes e queridos amigos que, de tempos em tempos, cruzam seus caminhos e, cada um à sua maneira, representa e canta a sua gente e a sua terra. Estamos, portanto, todo de parabéns pelo presente que é a nova Cultura em MS. Com certeza é uma revista para ler, reler e guardar.

Valmir Batista Corrêa

(*) Artigo publicado no Jornal da Cidade (http://www.jornaldacidadeonline.com.br/), de Campo Grande (MS), em 07 de dezembro de 2008.

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