Apesar de ter sido subestimada pelo governo, classificada como “marolinha”, a atual crise financeira vem arrastando tudo o que vê pela frente, como um assustador “tsunami”. A crise está tão feia que tem gente pulando como gato em teto de zinco quente. O próprio prestígio do presidente Lula já está sentido seus efeitos com quedas sucessivas, como vêm demonstrando as últimas pesquisas de opinião. A cada instante, o governo toma medidas para o seu enfrentamento, injetando dólares na ciranda financeira, prorrogando o IPI dos carros, isentando impostos do setor da construção civil, aumento o imposto dos cigarros. Mas, infelizmente, o desemprego continua aumentando, empresas fechando e, epa!, a corrupção viva e sem dar trégua.
Outra medida governamental que chama muita a atenção, pois a princípio parece ser uma coisa bem vinda, é o lançamento do Plano Nacional de Habitação. É mais um PAC, desta vez, chamado de Minha Casa, Minha Vida, com a estratosférica proposta da construção de um milhão de casas. Quem vai pagar este PAC a história é quem dirá, mas o “pato” com certeza será o povo brasileiro, como sempre.
Porém, o plano provocou certa estranheza ao não definir o tempo de duração, ou melhor, propõe a construção de um milhão de casas sem definir em quanto tempo. É um plano com começo e sem fim. Pode então parecer que, ao não definir o tempo de duração do plano governamental, o próprio governo sabe que lançou um programa de construção que não concluirá. O que é pior, afinal, não se sabe quantas casas Lula conseguirá construir no período de vigência de seu mandato. Por isso, espero que este programa não esteja focado somente para as próximas eleições.
Na verdade, qualquer família tem como sonho, ou objeto de desejo, a obtenção da casa própria. Agora, mais do que nunca, o governo vai trabalhar com o sonho dessas pessoas. Estou torcendo para dar certo, pois não se pode admitir que as esperanças de muitos sejam frustradas. Pois bem, a construção de casas, em grande escala, vai diminuir (e não acabar) o brutal déficit habitacional, promovendo uma desejada injeção financeira na economia interna e, consequentemente, estímulos à geração de empregos. Mas nem tudo é cor-de-rosa.
O primeiro passo será a formalização de parcerias entre governo federal, estadual e prefeituras para a escolha de local das construções, compra de terrenos geralmente distantes dos centros e sem infraestrutura, como luz, água, transporte, saúde, só para citar os mais visíveis. E quem vai pagar a conta? As prefeituras que estão falidas pela queda brutal dos repasses do FPM?
A grande verdade, pelo que passa a imprensa oficial (ou pela chamada chapa branca), o próprio governo não tem clareza de como colocar em prática um plano tão ambicioso, que deverá ser formatado com novos estudos. Talvez por isso o programa Minha Casa, Minha Vida causou de imediato tanto alvoroço e desabou em seguida num mar de críticas. Sem perder o direito à crítica, continuo a torcer para que o programa seja um sucesso sem uso eleitoreiro.
Porém, fiquei temeroso ao ouvir a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, de maneira não convincente explicar o referido projeto. Pareceu não ter clareza e firmeza no que estava dizendo. Lembrei-me, com horror da ministra Zélia Cardoso de Melo, no governo Collor, tentando explicar perante uma nação estupefata o inexplicável confisco da poupança. Não, de novo não!
Valmir Batista Corrêa
(*) Artigo publicado no Jornal da Cidade (http://www.jornaldacidadeonline.com.br/), de Campo Grande (MS), em 05 de abril de 2009.
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