Tenho acompanhado com muito interesse a proposta de Campo Grande sediar jogos da Copa do Mundo de Futebol que ocorrerá no Brasil. O primeiro passo foi uma tentativa de envolver a população nesta disputa como se fosse uma questão de orgulho regional. Assim, houve uma grande mobilização pública para recepcionar os representantes da FIFA e da CBF. Também, numa jogada de marketing, tentou-se vincular Campo Grande ao Pantanal com resultados imprevisíveis. Isso porque, na verdade, o Pantanal fica muito distante da capital e desconfio que uma propaganda deste tipo não tenha vida longa. O curioso é que muita gente que ficou arrepiada e contra a proposta da mudança do nome do estado para “Estado do Pantanal”, agora gritava em plenos pulmões “o pantanal é aqui”. Como o tempo muda.
Apesar de não saber quais os times que poderiam jogar aqui (que não sejam os piores), espero que a campanha obtenha sucesso, pois o resultado seria muito compensador. Como tal evento exigirá grandes investimentos, essa “dinheirama” deve ser distribuída pelos diversos setores de prestação de serviços sul-mato-grossenses. Assim espero. No entanto, parece que o clima de euforia vem arrefecendo. De qualquer maneira vamos aguardar os acontecimentos torcendo para que haja sucesso, mas com cuidado para que “politiqueiros” não assumam a paternidade desta festa popular.
Neste quadro, não posso deixar de comentar o jogo entre o Corinthians e o Misto, no Morenão, pela Copa do Brasil. Sem dúvida, foi uma verdadeira festa popular. Quem não foi ao campo perdeu uma rara oportunidade de ver uma contagiante alegria, com milhares de pessoas pulando e cantando, como se está acostumado a admirar pelos canais de televisão. Mas nem tudo foram flores, o que permite fazer algumas considerações de interesse coletivo. Sobretudo por ser o Morenão peça fundamental para sediar uma das sedes da Copa do Mundo. Porém, o que se viu foi uma situação muito preocupante e que depõe contra esta campanha, criando uma fama negativa sobre o estádio.
Em primeiro lugar, havia apenas uma entrada para os torcedores que, aos milhares, adquiriram espaços na arquibancada descoberta. Será que é assim que está começando o planejamento sobre a Copa do Mundo? Outro aspecto foi o estado lamentável do gramado com defeitos e buracos que prejudicaram os jogadores de ambos os times. Convenhamos, isto já poderia ter sido resolvido. Parece que os responsáveis estão esperando os resultados da escolha da Fifa para começar os investimentos e reformas. Não acredito que este seja o melhor caminho para conquistar uma vaga. Além disso, sem qualquer explicação, o estacionamento de carros não ficou aberto ao público, ficando os torcedores que foram com seus carros a mercê dos famigerados “guardadores”. Por sorte havia uma ostensiva ação da policia militar que inibiu em grande parte os “amigos do alheio”.
Mas, o que mais chamou a atenção foi a irresponsabilidade ocorrida ao término do jogo. Milhares de torcedores que saíram das arquibancadas descobertas caíram em um corredor, com luzes queimadas e apenas uma saída aberta. Isso mesmo, existia apenas uma saída. Era um funil que poderia ter provocado, caso houvesse algum tumulto, uma tragédia de consequências inimagináveis. Nem os dirigentes nem a polícia estavam ali para coordenar esta lamentável situação. Será que esta irresponsabilidade será positiva para a vinda da Copa? É claro que não.
Mas, o que mais me chateou foi ouvir a divulgação do público pagante em torno de 14.599 pessoas, quando a imprensa toda falou em mais de 20.000 pessoas. Não sou matemático, mais fiquei com a pulga atrás da orelha. Esta fama de desencontros na prestação de contas das rendas no Morenão já se espalhou pelo Brasil afora. Com certeza, esta situação não é uma propaganda positiva para a escolha de Campo Grande para ser uma das sedes da Copa do Mundo.
Valmir Batista Corrêa
(*) Artigo publicado no Jornal da Cidade (http://www.jornaldacidadeonline.com.br/), de Campo Grande (MS), em 26 de abril de 2009.
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