Muitas décadas atrás um produto veio facilitar a vida do consumidor. Foi uma revolução nos costumes. Foi, porém, uma invenção que emporcalhou todo o hemisfério: o plástico e seus derivados. O produto invadiu as nossas casas e nossas vidas, nos mais diversos produtos e utensílios. Mas fico aqui apenas nos saquinhos de plástico utilizados em todas as atividades comerciais. Sem outra utilidade, após o seu uso imediato, milhões deles são jogados nos lixões da vida.
De início, e mesmo depois, os setores industriais voltados para a sua produção “esqueceram” (será que é isso mesmo?) de alertar a humanidade que tais produtos demoravam centenas de anos para degradar-se. Isso mesmo. Encheram e continuam enchendo as “burras” de dinheiro sem considerar o prejuízo provocado ao meio ambiente com seus produtos. Esta avalanche de sacos plásticos quase cabou com a utilização de um concorrente precioso: os velhos saquinhos de papel.
À época, um dos grandes argumentos para desprezar a utilização de saquinhos de papel era que a sua matéria prima saía das florestas nativas. De fato era o que ocorria. Hipocritamente, porém, o desmatamento continua até hoje e por outras razões. Por outro lado, a tendência atual é ampliar áreas de plantio de produtos renováveis, a exemplo do eucalipto, inclusive em terras degradadas e improdutivas. Portanto, está salvo de críticas dos ambientalistas o velho e bom saquinho de papel.
Enquanto isso foi desenvolvida uma política, que entendo correta, de reciclagem de lixo. Era uma forma paliativa de atenuar os malefícios do acúmulo de lixo e muitos municípios partiram para a implantação de usinas de reciclagem, organizando grupos de catadores de lixo como mão-de-obra. Muitos munícipes participaram desta ação social, separando em suas casas, em sacos organizados, o lixo passível de reciclagem. Isso sem deixar de reconhecer, também, que esta categoria de trabalhadores é uma das mais miseráveis da sociedade por tirar o seu sustento e de suas famílias do lixo alheio, inclusive revirando-os nas ruas antes da passagem dos garis.
Esta parcela da sociedade raramente é lembrada pelos nossos governantes. Ou melhor, somente em épocas de eleições. Até um restaurante popular perto de um lixão, aqui em Campo Grande, que acalmava o ronco da barriga desses trabalhadores foi recentemente fechado. Agora, parece que a atividade de reciclagem de lixo também está em franca decadência, com queda vertiginosa do preço dos reciclados. É preço da crise que chegou até nós, aquela que Lula desdenhou chamando de “marolinha”. Para os catadores de lixo é o fundo do poço chegando.
Volto a pensar que está na hora, principalmente os supermercados, de começarem a trocar esses nefastos saquinhos de plásticos pelos de papel, mais higiênicos e não poluidores. Alguns supermercados (sempre os espertos!) já propõem aos consumidores a troca dos saquinhos desde que sejam comprados de suas gôndolas os “ecologicamente corretos”. Entendo ser esta proposta uma medida que deve ser levada e aprovada na Assembléia Legislativa, reforçando com legislação para ser cumprida por toda. Acho melhor esta discussão do que a bobagem ocorrida tempos atrás, ao se tentar dar nome de um modelo a um trecho de uma estrada do interior. Aliás, uma bela modelo.
Creio ser uma medida arrojada e pioneira, que colocaria o estado de Mato Grosso do Sul num estágio avançado em defesa do meio ambiente e da melhor qualidade de vida de seus habitantes.
Por isso tomo a liberdade de dizer: trabalhadores, uni-vos, pelo retorno dos úteis e ecologicamente correto saquinhos de papel.
Valmir Batista Corrêa
(*) Artigo publicado no Jornal da Cidade (http://www.jornaldacidadeonline.com.br/), de Campo Grande (MS), em 01 de março de 2009.
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