segunda-feira, 13 de abril de 2009

Uma instituição em tom maior (*)

No dia 29 de março passado foi comemorado, em sessão solene no recinto da Câmara Municipal, o aniversário de 30 anos da fundação do Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso do Sul. Fundado em 3 de março de 1978, em decorrência da criação do estado de Mato Grosso do Sul, o IHGMS teve como entidade embrionária a então Academia de Letras e História de Campo Grande, sendo registrados em sua primeira ata como fundadores Paulo Coelho Machado, Demosthenes Martins, José Couto Vieira Pontes, Otávio Gonçalves Gomes, Antonio Lopes Lins e J. Barbosa Rodrigues.

No entanto, as dificuldades enfrentadas por esses pioneiros e desafiadores fundadores não permitiram a continuidade dessa empreitada cultural por uma década. Assim, somente em 2 de setembro de 1988 o IHGMS foi reestruturado pelos associados Paulo Coelho Machado, Elpidio Reis e Hildebrando Campestrini.

Hoje, sob a presidência do professor Campestrini, o IHGMS conta na sua maioridade intelectual com significativas e relevantes atividades culturais, em especial, um extenso projeto editorial. Além disso, na vanguarda de suas congêneres de todo o país, sob a coordenação da presidência e do vice Heitor Rodrigues Freire, iniciou-se a fundação no interior dos núcleos regionais já sendo consolidados nos municípios de Paranaíba, Coxim, Ponta Porã, Rochedo, Nioaque e Corumbá. Esse arrojo também se traduz em seu estatuto pelo modernismo de suas finalidades culturais não se restringindo especificamente em abordagens históricas e geográficas. Nesse sentido, o Instituto também incentiva estudos com abordagens artísticas, estéticas e sobre o turismo de Mato Grosso do Sul. Além disso, tem-se posicionado publicamente em defesa dos sítios históricos e monumentos regionais e de ser um repositório de documentos históricos.

Até pouco tempo atrás, a sede o Instituto funcionava junto ao prédio da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras. Porém, quando ainda prefeito de Campo Grande, André Puccinelli, frente à necessidade de preservar o sítio arquitetônico da estação da estrada de ferro Noroeste do Brasil, assinou um ato cedendo por 30 anos o uso de uma das residências como sua nova sede.

Ainda em sua administração, a Fundação Municipal de Cultura realizou uma parceria para a produção da série “Eu sou História”, já em sua oitava edição, sobre histórias de vida e do cotidiano. Com o sucesso deste projeto, inicialmente desenvolvido na capital, o Instituto pretende também estabelecer parcerias com outros municípios do interior para criar mosaicos de história de vida de Mato Grosso do Sul.
Com o posterior governo de Nelson Trad Filho, a administração municipal continuou a publicação da série “Eu sou História” e conseguiu obter recursos financeiros, juntamente com os parlamentares do estado em Brasília para, mediante projeto, restaurar e equipar as casas do conjunto urbano-arquitetônico da NOB.

Ao mesmo tempo, o Instituto iniciou uma política para democratizar o acesso das informações históricas e culturais a todo o estado de Mato Grosso do Sul. Desse modo, através da sua página na internet, já se encontram à disposição do público sul-mato-grossense a “Enciclopédia de Mato Grosso do Sul”, ainda em desenvolvimento mas que conta atualmente com mais de 3.000 verbetes.

Além disso, o IHGMS tem um banco de memórias e uma biblioteca virtual. Ainda, como uma editora especializada, disponibilizou as publicações “Revista do Instituto Histórico e Geográfico de MS”, volume 1; “História dos Índios Cavaleiros ou da nação Guaicuru”, de Francisco Rodrigues do Prado; 2 relatórios municipais sobre Campo Grande, um de Rosário Congro de 1919 e outro, de Arlindo de Andrade Gomes de 1922; “Santana de Paranaiba” de Hildebrando Campestrini e em parceria com Acyr Vaz Guimarães, “História de Mato Grosso do Sul”.

Em 2007, o Instituto atingiu a sua máxima expressão editorial com a publicação primorosa do livro “Inocência”, de Visconde de Taunay, considerada pelos estudiosos como o romance símbolo de Mato Grosso do Sul. Finalmente, neste presente ano, o Instituto também projetou o lançamento das obras completas do escritor Hélio Serejo e a construção na cidade de Paranaíba do “Memorial de Inocência”.

Com certeza, o IHGMS vem dia-a-dia transformando-se, pela sua produção acadêmica, em referência cultural para o estado de Mato Grosso do Sul.

Valmir Batista Corrêa

(*) Artigo publicado no Jornal da Cidade (http://www.jornaldacidadeonline.com.br/), de Campo Grande (MS), em 27 de abril de 2008.

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